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Até ao secundário andei num Colégio de Freiras, que adorei!
Foi lá que, com a ajuda preciosa das freiras e das professoras que ali leccionavam, a minha personalidade começou a ser moldada.
Ainda hoje sou religiosa, acredito em Deus, mas não sou praticante.
Há coisas que me levantam muitas dúvidas e que, já naquela altura, me causavam alguma perplexidade.
Duas vezes por mês, podiamos ser dispensadas das aulas para nos irmos confessar.
Claro que, apesar de não ser obrigatório, ía tudo minha gente! Era a única forma de nos livrarmos da seca da aula que estávamos a ter, para podermos cumprir um dever religioso.
E aí a euforia era total! Que bom vir apanhar ar! Aquele intervalo vinha memo a calhar!
Mas, passada a euforia inicial, a ida ao confessionário não tinha nada de entusiasmante.
Afinal o que é que nós, miúdas de 10, 11 e 12 anos, podíamos ter feito assim de tão grave para nos termos de confessar? Quantos pecados deveríamos ter feito (um, dois, três)? Não seria preferível confessarmo-nos directamente a Deus?
Chegadas lá abaixo à Capela do Colégio, e enquanto esperávamos pela nossa vez, sentadinhas no banco, questionávamo-nos sobre o que íriamos dizer ao padre:
- Vou dizer que bati à minha irmã - dizia uma;
- E, eu, que desobedeci à minha mãe - dizia outra;
- Pois eu vou confessar que digo muitos palavrões.
Bater na irmã?! Embirrar uma com a outra seria o mesmo?
Desobedecer aos meus Pais?! Amuar contaria?
Dizer palavrões?!"Parva"seria palavrão suficiente para confessar ao Padre?
Mas afinal o que faria ali, uma miúda como eu que, sem ter pretensões a ser uma futura Madre Teresa de Calcutá, era uma criança responsável, certinha e muito by the Book ?!
Claro que quando chegava à minha vez, e porque achava que ficava mal não ter nada para confessar, acabava por inventar uma série de "pecados", onde misturava as coisas vividas por outras, e não por mim.
Reconheço agora que, sem nunca me ter apercebido, estava a cometer um verdadeiro pecado:mentir a alguém!
Ai maminka...maminka!!!!
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