por Teresa, em 30.08.15

Ontem acordamos com uma disposição diferente da habitual! Afinal era o último dia de férias!
Eu diria que a alegria quase que esteve desaparecida!

A cadela deu voltas e voltas ao jardim, a marcar território como de costume, mas sem a garra habitual!

A bebé desfez-se em lágrimas quando viu todos os brinquedos, com que tinha brincado durante o Verão, serem desmontados e arrumados lá bem longe!!!

A avó teve uma baixa de tensão quando começou a pensar numa nova mudança e no regresso à capital!

A filha adolescente, sem mais, nem porquê, andou nostálgica o dia todo!

Eu e os restantes adultos, apanhamos os últimos raios de sol sem a motivação do costume, demos uns mergulhos menos estridentes na piscina , tiramos as últimas fotografias sem a risota habitual e fomos fazer as malas sem qualquer vontade!
Os barulhos de Verão foram ficando longínquos, os nossos risos deram lugar a suspiros e a noite, que era para ser de um luar fantástico, acabou por ser ensombrada por algumas nuvens!

Que saudades tenho já das nossas férias!!!
por Teresa, em 30.09.14
A Maria regressou ao seu novo país para continuar os estudos e eu voltei a ser maminka outra vez.
Tem de ser ... eu sei.... mas depois de três meses todos juntos, a separação é ainda mais difícil!
Hoje, ao fim da tarde, entrei em casa e ainda tive a tentação de espreitar pela porta entreaberta do escritório, onde habitualmente a Maria costuma estar quando chegamos do trabalho...e quase ía jurar que a vi levantar-se para vir ao nosso encontro para nos cumprimentar com o habitual " oi gatos!"
É isso: estou já com imensas saudades!
Eu sei que o Skype, o viber, as mensagens, o telemóvel, o computador, e outras coisas que tais, podem ajudar a que o longe se torne perto.
Mas neste momento a única coisa que me anima é sabê-la feliz mesmo estando num outro canto do mundo!
por Teresa, em 18.08.14
O verão com crise, ou sem crise, é sempre uma das melhores coisas da vida! Então quando se está de férias .... não há melhor!
Há toda uma alegria no ar que aquece a alma, nos torna mais leves,mais tolerantes e nos faz pôr todos os problemas de lado: "Hospital? O que é isso? É onde trabalho? Ah... pois é ...claro! Agora assim de repente... não estava a ver!"
Se fechar os olhos quase consigo rever todos os verões da minha vida!
Que alegria era quando, no Alentejo ou no Algarve, se juntavam os primos todos e, num abrir e fechar de olhos, passávamos a ser uma família enorme.
Um quarto de duas crianças (na altura nós) se transformava, por magia, num quarto para 6 ou para 8 (dependia). Ainda hoje me ponho a pensar como é que cabíamos todas lá dentro e, mesmo assim, o quarto nos continuava a parecer enorme ?!!!
Ainda me lembro de à noite, no Alentejo, já adolescentes,a entrada para o nosso quarto se fazer pela janela, para não incomodarmos os pais, sempre que chegávamos a casa às duas ou três da manhã, vindas das nossas festas.
Depois ... a risota era tanta... que o efeito pretendido era posto em causa e...mais valia termos entrado pela porta.
E nos carros? Éramos sempre imensos os que iam no banco de trás! Não havia ainda cintos, nem regras de segurança a cortar- nos " o barato", e isso fazia de cada viagem a maior excitação do mundo !
Mas férias era isso mesmo!
Ouço ainda ao longe o barulho e a confusão das nossas vozes, as brincadeiras sem fim, a risota pegada, as sestas obrigatórias (que na altura eram a maior seca da vida), os passeios de carro, os dias na praia (enormes),os banhos na lagoa (hoje transformada numa moderna praia fluvial), os desejos pedidos a cada estrela cadente que víamos cruzar os céus (Deus queira que o.. me peça namoro), os geladinhos que íamos comer todas as noites (chocolate, sempre), as partidas que pregávamos, os nossos passeios de bicicleta, as noites quentes e estreladas no Alentejo, o som dos grilos, as taças de tomate com açúcar (invenção da minha mãe para nos fazer comer tomate e que se transformou rapidamente numa gulodice obrigatória para todas nós (até a Maria não a dispensa hoje),os passeios até Espanha (já que estávamos ali tão perto), a choradeira que era de cada vez que vez que as férias acabavam e tínhamos de regressar a Lisboa !
As saudades instalavam-se e a única coisa a fazer para as abrandar um pouco era iniciar a contagem decrescente para as férias do ano seguinte....
por Teresa, em 17.03.14
Sabem quando todas as forças do Universo se conjugam para nos fazer felizes?
Foi o que aconteceu neste fim de semana:
Não nos foi possível ir à montanha , mas, por magia, a própria montanha conseguiu vir até nós!
Demos inicio à nossa época balnear;
A água do mar, embora fria,estava azul e cintilante;
O sol brilhava como em Agosto;
Os nossos corações voltaram a pular de alegria;
Os sorrisos voltaram;
Os postos da telefonia do meu carro saíram,finalmente, da ordem em que eu os tinha colocado há um tempo e a rádio cidade voltou ao Top;
A calma dos últimos tempos deu lugar, por dois dias, àquela confusão a que estávamos habituados, e de que às vezes sentimos uma certa falta: cravar uma boleia para ali, almoçar acoli, ir não sei onde....e vir não sei a que horas....
Depois ....o regresso...a ida para o aeroporto às 3 horas da manhã e aquele sensação com que ficamos de "....é tão bom.... não foi?"
por Teresa, em 12.03.14
As saudades são a pior parte de todo o processo! Não é que não soubesse isso desde o inicio ! Mas fingi-me forte, disfarcei com o muito trabalho que tenho, tentei distrair-me com coisas novas, comecei a fazer uma manta ( enquanto conto as malhas não penso noutra coisa), tentei fazer filmes da família, mergulhei na leitura (estou a ler 3 livros ao mesmo tempo), sempre que posso estou com os sobrinhos e deliro com cada história nova que me contam.... Enfim....
Mas aguenta-se isto 5 ou 6 anos ???
Em certos momentos a saudade bate bem forte...e não se consegue disfarçar!
E sentimos a falta de tanta coisa:
De quando a Maria se atrasa para o jantar, e nos entra porta adentro meia afogueada a dizer "oi gatos! Desculpem o ligeiro atraso, mas não dei pelo passar das horas...";
Do hábito de mal entrar no meu carro,tirar os canais da ordem em que se encontram, até conseguir descobrir a rádio cidade e por-se a cantar e a dançar!
De nos pedir para a levar a casa desta ou daquela e depois nos dizer: "Oh... obrigada...são tão queridos ! Quando chegarem a casa liguem para eu saber que chegaram bem"
De chegar das noitadas às 4 horas da manhã, ir dormir a casa de uma amiga e enviar-nos uma mensagem a dizer: " já cheguei! Correu lindamente! Fartei- me de dançar! Durmam descansados"
Das ideias brilhantes de,nos dias frios e cinzentos, nos perguntar :"não vos está a apetecer imenso ir à praia?"
De insistir para vermos, pela milésima vez,o "Aeroplano" ou, o "Black Adder"para depois, rirmos juntos até mais não!
Enfim... é por isso que é sempre tão bom saber que a Maria vem a Portugal...porque aí podemos matar todas as saudades contidas!!!!!!!
por Teresa, em 05.03.14


Desde que sou mãe de emigrante,choro por tudo e por nada!
Bem.... não sei será só por isso ou, se com a idade ( já disse que estou naquela idade a que chamam os velhos 40?!!!) estou a ficar mais lamechas.
Ora vejamos:
Choro porque, no telejornal, estão a transmitir aquelas desgraças todas e que cada vez são mais frequentes, de famílias no desemprego, velhinhos que ficam sem as casas, pessoas sem dinheiro para comer, para comprar remédios ...
Choro porque vejo aquele programa "Portugueses para além fronteiras" que,coitados,deixaram as famílias à procura de uma vida melhor...
Choro porque aquele jornalista de quem gosto muito e cujo blog sigo,o PRD,teve o filho na Austrália, e senti o quanto lhe custou tê-lo longe;
Choro porque está a dar um filme mais dengoso;
Choro quando vejo filmes do passado;
Choro pela milésima vez quando vejo o Love Story, porque o amor deles é lindo e ela morre ( como se aquilo fosse surpresa absoluta)
Enfim....
A única coisa que me faz rir é o comentário do Pedro, meu marido, que se vira para mim e, com imensa graça diz : " não acredito que a " velha" me está a chorar outra vez! "
Aí .... passo das lágrimas ao riso no mesmo minuto!