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Malditas passwords

por Teresa, em 30.03.15

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Ontem estive num jantar com irmãs e primas e às tantas alguém precisou da palavra passe para entrar no FacebooK. 

Vi chegar um bloco cheio de notas, escrivinhado de cima abaixo, com imensas passwords de tudo e mais alguma coisa mas não...não tinha a password pretendida.

 

Comecei então a pensar que, de facto, é incrivel a quantidade de passes que temos de criar e, nalguns casos, actualizar mensalmente, porque  a nível profissional assim nos  é exigido.

 

E inventar uma coisa simples para nos lembrarmos sem ter de recorrer aos nossos apontamentos é de uma dificuldade extrema. Senão vejamos:

 

1.Tentamos simplificar ao máximo e colocamos   a data do nosso casamento, que é do mais fácil para decorar;

 

2.Depois informam-nos que o ideal é não ter só algarismos,mas também algumas letras, para aumentar o nível de segurança da password.OK...juntamos-lhe o nome do nosso cão ( xxxxxxstormy);

 

3. Somos informados que o nível de segurança ainda é baixo. AÍ já começamos a ficar com os nervos em franja!

Juntamos ainda as iniciais  da frase "Mas que chatos"  ( xxxxxxstormymqc);

 

4. Somos informados que a segurança passou de baixa para média. Ficamos contentes mas ainda não totalmente satisfeitas.

Dizem-nos que, para a coisa  ser mais fiável, deveremos  misturar letras minúsculas e maiúsculas. Resolvemos, então,  colocar o nome do cão em letra grande (xxxxxxSTORMYmqc).

 

Chegados aqui , estamos fartos, de tanta invenção ! E, é claro, se nos pedirem para repetir, passado um bocado, o nosso raciocínio é, mais ou menos, assim:

 

1.Eu sei que começa pela data do meu casamento... espera... não... a data do meu  nascimento  ...(aí  começa a confusão na nossa cabeça);

 

2.A seguir tenho a certeza que pus o nome do nosso cão: o Stormy ... mas será stormy ou STORMY com letra grande ???? Como ele é um cão pequenino devo ter colocado letra pequena. Calma... lembro-me que escrevi qualquer coisa com maiúsculas, mas o quê?

 

3.Por último, sei que me irritei com aquilo tudo e resolvi chamarmar-lhes "chatos"... só não me lembro se utilizei a palavra completa : CHATOS ou só a inicial C.

 

E ...pronto estamos completamente à deriva e para levar o barco a bom porto lá teremos, obrigatoriamente, de recorrer ao bloco de notas.

 

Por essas e por outras é que o meu sobrinho me disse:

-Ó tia, a minha  password é que eu não esqueço nunca.Sabe qual é?

-Não faço a mínima  ideia!

Chegou-se  ao meu ouvido e sussurou : 

-Três vezes o meu nome...(zezeze) seguido de 1754.

-1754???!!!! E porquê essa data?

- A tia não vê que é o ano do grande terramoto de Lisboa (1755) menos 1 ano para disfarçar?!

 - Estou a ver, estou. Mas não achas que  te vais  esquecer disso?

- Ó tia, nao me vou esquecer nunca, porque gosto muito deste livro da "Aventura" que estou agora a ler e que é sobre esse grande terramoto. Olhe que eu até sonho com isso!

-Ah!!!!!!!

 

As crianças ensinam-nos tanto!

publicado às 19:50

Até para se educar é preciso engenho e arte!

por Teresa, em 08.01.15

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No sábado tivemos um jantar em casa da minha irmã mais nova para comemorar mais um aniversário de casamento dos nossos pais, que estão juntos há mais de meio século (coisa que os mais novos nem sabem o que é...porque, como às vezes ouço dizer, deve ser do mais chato que há estar,anos e anos, com a mesma pessoa ao lado).

 

Mas não é sobre relações duradouras que quero falar, mas sim sobre a forma extremamente educada e formal como fomos recebidos pelos nossos sobrinhos, de 8,9 e 12 anos.

 

Mal cheguei :

-A tia quer tirar o casaco ?

Lá tirei um pouco a contragosto porque estava um frio de rachar! E quase de seguida:

- A tia quer dar-me a sua mala para eu ir guardar no quarto dos pais?

Ainda que com algumas dúvidas sobre se deveria ter ficado,ou não, com o telemóvel ao pé de mim...acabei por entregá-la.

 

Viraram, então,a agulha e centralizaram as atenções no tio:

- O que lhe apetece beber, tio? Talvez uma coca-cola, vinho ou sumo...o que o tio quiser-ofereceram.

-Pode ser um martini ou um Gin Tónico!

-Bem ...agora ...deixou-me mesmo baralhado!!!! (afinal que bebidas estranhas eram aquelas que o tio tinha pedido???!!!!).

E foram sendo educadíssimos com todos os convidados que ali estavam!

Ajudaram em tudo!

Percebi-lhes o esforço, na tentativa de fazer tudo como manda o figurino!

.

Chamei o Zé à parte, gabei-lhe os gestos e a atenção para com todos os familiares e amigos mas disse-lhe que não precisava de estar tão tenso!

Resposta dele : -Ai preciso, preciso tia! É que não fizermos tudo bem e não ajudarmos os pais a darem o jantar a mãe fica muito triste connosco!

 

Bingo!....Então era este o segredo do negócio!!!!

Mais uma vez tiro o chapéu à minha irmã e cunhado porque saber educar um filho é das coisas mais difíceis do mundo! E eles, com muito engenho e arte, têm conseguido resultados fantásticos nessa matéria!

publicado às 23:54

A economia doméstica no prisma das crianças

por Teresa, em 10.10.14

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Talvez por estarem a crescer num clima de austeridade , no seio de famílias que se vêem confrontadas diariamente com inúmeras dificuldades económicas,talvez por tudo isto, reparei,no outro dia, que os miúdos,hoje em dia, se pautam por valores e comportamentos muito diferentes dos miúdos da minha época, por exemplo.

E foi até com um misto de admiração e orgulho que vi no outro dia, os meus sobrinhos de 7 e 8 anos a darem uma verdadeira lição de economia doméstica à tia ( minha irmã) com quem ficaram a passar o último fim de semana.

A cena passou-se num supermercado onde foram todos juntos comprar o que fazia falta para o jantar . Assim, meio a despachar, a tia começou a encher o carrinho, com tudo o que precisava, mais aquelas pequenas coisas que nos apetecem...porque sim.

Só que a tia punha as coisas dentro do carro de supermercado e ...eles tiravam...olhavam para o preço e diziam;

- Ó tia isto é muito caro!!! A tia já viu bem o preço?! 

Não...a tia nem tinha reparado!

Iam a correr e voltavam a colocar o produto na prateleira e retiravam outro. 

-Mas não pode levar aquele tia! Olhe este aqui ! É muito mais barato e é da marca do supermercado!

Depois viravam-se um para o outro e tentavam confirmar:

- Ó Manel este é o que a mãe costuma comprar não é?

A tia estava tão corada com toda aquela cena do põe e tira que já concordava com tudo! E à volta deles instalou-se uma risota pegada! Afinal os "pimpolhos" estavam a dar umas lições sobre economia doméstica!

A seguir, a tia quis comprar uma coca-cola para cada um deles, para lhes dar um miminho no fim de semana.

Com base na teoria da poupança que desde o início defendiam, agradeceram mas não aceitaram com a desculpa de que ao jantar até costumavam beber água.

Como a tia continuava a insistir, acabaram por comprar as duas latas mas abririam uma ao jantar e dividiam pelos dois, e só bebiam a segunda quando, mais à noite, estivessem a ver um filme na televisão!

E esta hein?

publicado às 22:13

As pérolas dos meus miúdos

por Teresa, em 12.08.14

Sempre adorei crianças e, é com a maior ternura, que sempre acompanhei o crescimento  da minha filha e dos meus quatro sobrinhos,  ficando encantada com o aparecimento das primeiras palavras ,das frases trapalhonas , das primeiras brincadeiras e histórias inventadas… enfim de tudo o que compõe o mundo delas.

 

 

É pura magia vê-las acreditar no Pai Natal, nas fadas, nas princesas e nos heróis em que um dia se hão-de tornar, nos amigos para sempre, no seu pequeno grande mundo fantástico, onde tudo acontece e se encaixa na perfeição!

 

Ontem estive a arrumar umas coisas e encontrei uma agenda onde tenho anotadas muitas das histórias que vivenciei ou, que me foram contadas sobre as crianças da minha vida.

 

 Resolvi, então, ir colocando aqui no meu Blog algumas delas que apesar de se terem passado há alguns anos, continuam a ser actuais na graça que ainda hoje têm.

 

Vou chamar-lhe “ As pérolas dos meus miúdos! ”.

 

Vou hoje contar 2 histórias, em que foi protagonista a minha sobrinha mais velha: a Madalena.

 

 

História1

A Madalena, teria uns 8 anos quando, referindo-se a uns vizinhos, disse à mãe:

-Mãe estão ali aqueles nossos vizinhos velhos com quem a mãe costuma falar…”

-Madalena, por favor, não deve dizer “velhos”, mas sim pessoas idosas- repreendeu a mãe.

Passados uns dias numa conversa com os irmãos, a Madalena  ao querer impor-se perante eles esclareceu :

-Zé, Zé….eu já disse que sou mais idosa que vocês!

 

 

 História 2

Num dos dias em que a mãe estava cheia de dores de cabeça a Madalena, na altura com 6 anos, resolveu entreter os irmãos, pondo-os a jogar um jogo em que tinham de responder a umas quantas perguntas que ela lhes ía fazendo.

Às tantas, o Manel que é o mais novo, começou a acertar mais perguntas do que o Zé.

Isso foi o bastante para a Madalena se virar para ele e dizer:

-Ó Zé… olhe que o Manel é mais esperto do que si !

 

Nem mais!

 

publicado às 17:20

Visitas de estudo

por Teresa, em 03.05.14

Ontem de manhã, passei pelo colégio onde a minha emigrante Maria andou desde os 3 até aos 15 anos.... Uma vida portanto!

Fico sempre com imensas saudades daqueles tempos em que a ía levar ( sempre atrasada ) e, ao fim da tarde, a ía buscar (sempre stressada )!
Ela pedia- me,por tudo, para a ir buscar muito cedo porque senão ficava cheia de saudades e, pior que isso, começava a ter pensamentos maus, do género que a mãe tinha morrido ,ou a tinha abandonado...

Eu, que já de mim sou a ansiedade em pessoa, e não a queria enervar a ela, saía do trabalho a mil à hora, pegava no carro também a mil e, como a distância era curta, punha- me lá no segundo seguinte!

Acho que, principalmente na infantil ( que foi o período mais crítico quanto a este assunto) nunca me atrasei uma única vez!

E era uma ternura ver aquela carinha dela com um sorriso enorme! Cada vez que me via chegar, parecia que via um Deus!
Um dia disse-me mesmo:
"Oh...mãe cada vez que te vejo vir, lá ... muito ao longe...parece que trazes um arco íris à volta da tua cabeça!"

Derreti-me ali, naquele instante! Este foi talvez o elogio que mais adorei na vida!!!!!

Mas , dizia eu, antes desta pequena divagação, que passei pelo colégio e vi montes de camionetas lá estacionadas, aguardando os alunos que iriam a uma visita de estudo.

E ...por falar em vistas de estudo... Não resisto a contar mais uma das histórias do meu sobrinho Zé , que também ontem,foi com o colégio dele,a uma visita de estudo a S. João das Lampas, em Mafra.

Quando a minha irmã chegou a casa e lhes perguntou como tinha sido o dia, o Zé disse:
- Oh mãe , fui a uma visita de estudo hoje e tive uma " ganda" sorte!
A mãe nem lhe estava a dar muita atenção, porque a tem de repartir com os outros dois, que muitas vezes falam e contam as coisas ao mesmo tempo. Aí o Zé insistiu :
- Mãe eu tive mesmo uma" ganda"sorte porque consegui um autógrafo de uma pessoa muito importante!
-Ai sim?? Mas de quem? Não estou a perceber nada!
-Foi assim : um senhor foi lá falar com a minha turma e eu perguntei ao meu colega se sabia se era alguém importante ...e ele disse-me que era o Presidente da Câmara de Mafra"
-Ah !- respondeu a mãe- e ele assinou os vossos cadernos!
- Não mãe, não foi assim. No final eu dirigi-me a ele e pedi: " o Senhor não se importa de me dar um autógrafo? " e, ele deu-me... Tive "bué da sorte "por ter conseguido o autógrafo dele!

O Zé é igual ao pai: muito sociável, nada tímido e se lhe pedirem para dançar, falar ou cantar em público ele faz, mesmo que, alguma dessas coisas, não seja bem a sua praia!

Afinal, qual é o problema?!!!!

publicado às 10:19

O "Porquinho Mealheiro"

por Teresa, em 28.04.14


No outro dia a minha irmã estava-me a contar mais uma das muitas histórias dos meus sobrinhos,que eu acho deliciosas, desta vez relacionada com o facto de saber, ou não , gerir o seu próprio dinheiro desde pequenino, e eu lembrei- me de fazer um post sobre a questão .

Será mesmo que é "de pequenino que se torce o pepino"?

A Maria sempre foi uma criança e,depois uma adolescente, responsável, que nunca fez birras ou teve amuos por não lhe darmos isto ou aquilo, mas, talvez, porque sempre teve tudo aquilo que pedia, e... nunca nada lhe foi negado!
E isso talvez por ser filha  única, talvez por nunca ter pedido nada de muito impossível,talvez porque sempre pudemos satisfazer-lhe os desejos ou ,simplesmente porque somos uns papinkas que não conseguimos dizer "não".

A Maria, nunca comprou nada sem nos pedir autorização, mas sempre que ligava para o papinka a perguntar se podia comprar isto, ou aquilo,, a resposta era sempre: " agora estou numa reunião, não dá para falar! Mas compre! Depois fazemos contas!"
A Maria até brincava com a situação e dizia que o papinka nem a ouvia ... A resposta acabaria por ser invariavelmente a mesma, quer lhe estivesse a pedir uma simples roupinha, quer um carro de topo de gama:"compre!"

Pois com os meus  sobrinhos a coisa é diferente, desde logo pelo facto de serem 3 : a Nena de 12 anos, o Zé de 8 e o Manel de 7.

É muito difícil aos pais de famílias numerosas satisfazer os caprichos de todos os filhos! É impossível financeiramente e desgastante física e psicologicamente!

Sempre percebi  que os pais com muitos filhos definem regras, desde a mais tenra idade dos seus rebentos, sobre o que podem pedir, o que podem gastar, ou comprar.

Depois de um certo limite .... Stop! 

Desde cedo eles aprendem que, caso queiram alguma coisa extra têm de juntar dinheiro , até conseguirem obtê-la!

Os meus sobrinhos têm um porquinho mealheiro onde vão colocando todo o dinheiro que nós, família e amigos, lhes vamos dando para  depois poderem comprar o que mais lhes apetecer!
E há coisas para as quais querem muito juntar dinheiro....outras porém....nem por isso, e nem sabiam que também essas (menos importantes do que as outras)  lhes exigiam ter dinheiro amealhado para dar em troca!

Pois é....

No último fim de semana os meus sobrinhos tiveram uma vontade súbita de pipocas e todos queriam ir , ao centro comercial ao pé de casa,comprar um pacote dos grandes,para cada um deles.
- sim senhora , disse-lhes a mãe. Mas cada um de vocês vai ao seu porquinho mealheiro e tira uma moeda de 1 euro e outra de 50 cêntimos para poderem pagar as pipocas.
A mais velha foi buscar o dinheiro, sem demoras. O Zé pediu para repetir quanto é que afinal custavam as pipocas e .... quase a ferros, retirou as moedas do "porco" necessárias para entregar à mãe . 
Foi,então, que se ouviu o mais novo primeiro a resmungar baixinho" livra...logo duas moedas"e, depois ,virar- se e dizer:
- " oh mãe... esqueça...porque eu afinal não tenho fome!"

O Manel não comeu mesmo as pipocas. 
Mas a mãe também não disse " coitadinho, vá lá comprar, que eu pago" ... 

Aprenderam que , infelizmente, se queriam muito uma coisa , tinham de ficar mesmo sem aquelas moedinhas tão valiosas que afinal lhes tinha dado tanto trabalho a juntar!

publicado às 23:20


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